Uma
iluminação adequada é uma condição imprescindível para a obtenção de um bom
ambiente de trabalho. A inobservância deste ponto resulta normalmente em
consequências mais ou menos gravosas, tais como: danos visuais, menor produtividade e aumento do número de acidentes.
Por
exemplo, o cansaço decorrente de um esforço visual é função das condições ou
características da iluminação, para além do tempo despendido em ambiente
laboral.
Deste
modo, poder-se-á definir conforto visual como a existência de um conjunto de
condições, num determinado ambiente, no qual o ser humano pode desenvolver suas
tarefas visuais com o máximo de acuidade e precisão visual.
A
iluminação ideal é a que é proporcionada pela luz natural, tal como defendido
nos principais diplomas legais sobre condições de HST em locais de trabalho.
Contudo
e por razões de ordem prática, o seu uso é, por vezes, restrito, havendo
necessidade de recorrer, frequentemente, à luz artificial.
A
qualidade da iluminação artificial de um ambiente de trabalho dependerá
fundamentalmente:
·
Da sua adequação ao tipo de atividade
prevista;
·
Da limitação do encandeamento;
·
Da distribuição conveniente das lâmpadas;
·
Da harmonização da cor da luz com as cores
predominantes do local.
Visão
O
olho é o órgão recetor da luz. As excitações que este órgão recebe são
constituídas por ondas eletromagnéticas que constituem o espectro eletromagnético
da luz visível.
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Imagem 1- Estrutura do olho humano |
O
nosso sentido de visão é altamente sensível a estímulos mínimos, podendo detetar
a luz de uma estrela longínqua ou a chama de um fósforo em noite clara, a 15 km
de distância. É, contudo, muito limitada a faixa de radiação por nós percetível,
estando restrita a uma zona que vai de, aproximadamente, 380 a 740 nm, isto é,
do violeta ao vermelho.
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Imagem 2- Gama de radiação captada pelo olho humano
A
energia radiante emitida por uma fonte luminosa ou refletida por um corpo é
projetada na retina pelo sistema ótico do cristalino, tal como acontece numa
máquina fotográfica. A íris dilata ou contrai a pupila, controlando assim a
quantidade de luz que entra no olho. Na parte posterior da íris, o cristalino
recebe os raios de luz e muda constantemente a sua forma para permitir a
focagem, mudanças essas conhecidas por acomodação. As excitações luminosas, uma
vez transformadas em impulsos bioelétricos nos órgãos de receção, passam pelos
centros nervosos até ao cérebro, que os interpreta, permitindo assim a visão
dos objetos.
Patologias
da Iluminação Deficiente
Um
aspeto importante a evitar em termos de Higiene do Trabalho é a fadiga visual,
que se manifesta por uma série de sintomas de incomodidade que vão desde:
·
Uma visão toldada,
·
Dores de cabeça,
·
Contração dos músculos faciais e mesmo por
uma postura geral do corpo incorreta.
Estes
sintomas podem ter origem quer num nível de iluminação deficitário como num
nível de iluminação excessivo, obrigando a um esforço de acomodação suplementar
dos músculos oculares, assim como das células recetoras dos estímulos visuais.
As
pausas na observação têm um efeito benéfico sobre os dois tipos de fadiga
visual.
Parâmetros da Iluminação
Fluxo
luminoso ou Potência luminosa
É a quantidade
total de luz emitida por uma fonte luminosa numa unidade de tempo (t), em todas
as direções, medida logo à saída da fonte. A unidade de medida é o lúmen (lm).
O fluxo
luminoso é um dado que normalmente é obtido dos fabricantes de lâmpadas e aparelhos
de iluminação.
Iluminância
ou Nível de iluminação
É
uma medida do fluxo emitido numa determinada direção por unidade de superfície.
É medida através de um aparelho chamado luxímetro, o qual é basicamente
constituído por uma célula fotoelétrica, sendo a unidade de medida o lux (lx).
Os
higienistas do trabalho servem-se deste conceito para adequarem nível de
iluminação com a atividade num determinado espaço, permitindo determinar a
concentração de fluxo luminoso pela superfície ou plano de trabalho onde o
trabalhador executa as tarefas.
O
seu valor depende diretamente da potência luminosa da fonte de luz mas
igualmente da distância e o ângulo que a mesma faz com o plano de trabalho.
Luminância
ou Brilho de uma superfície
É
uma medida do fluxo emitido, transferido ou refletido pela superfície ou objetos
onde este incide, atingindo a visão do trabalhador. A unidade de medida é a
candela/m2 e o aparelho de medição é o luminancímetro.
Níveis
de Iluminação
Em
função do tipo de tarefas a executar pelo trabalhador e do respetivo grau de
exigência visual, deverá ser determinado o nível de iluminação (iluminância)
mais adequado para o posto/local de trabalho onde esta ocorra. Em suma, o nível
de iluminância deverá ser proporcional ao nível de esforço visual requerido ao
trabalhador para a execução da tarefa. Não será também de negligenciar o facto
de a nossa capacidade (acuidade) visual ser distinta ao longo da nossa vida, sofrendo
uma degradação mais acentuada a partir dos 40 anos, quer em termos de
visibilidade, quer em termos de leitura.
Atualmente
não existem limites definidos em termos dos níveis de iluminação recomendados
para os locais de trabalho, pelo que se recorre a linhas de orientação
internacionais: norma ISO 8995: 2002.
Como
orientação geral, podemos utilizar o quadro seguinte:
|
Note-se
que o incumprimento dos valores recomendados deverá dar origem à tomada de
medidas de reforço do nível de iluminação, assim como o excesso poderá
favorecer a fadiga visual, sendo igualmente uma situação a corrigir.
Contrastes
e Encandeamento
No
desempenho das tarefas não só o nível de iluminação (iluminância) deverá ser o
mais adequado como o contraste obtido pelo tipo de iluminação deverá ser eficaz
ao ponto de permitir distinguir os objetos, mas não fatigar o aparelho ocular.
Assim,
devemos distinguir o contraste de iluminâncias existentes no campo visual
próximo e central do contraste do campo visual periférico e distante.
As
recomendações são as seguintes:
·
Todos os objetos do campo de visão deverão
possuir diferentes brilhos, permitindo a sua clara identificação;
·
As superfícies do campo visual central não
deverão possuir um contraste superior a 3:1;
·
O contraste entre o campo visual central e
periférico não deve exceder 10:1;
·
O campo visual central deverá ser mais
brilhante do que o campo visual periférico;
·
Deverá ser evitado o contraste no campo
visual inferior ou lateral face ao campo visual superior;
·
As fontes de luz não devem contrastar com o
fundo numa relação superior a 20:1;
·
As fontes de luz não devem incidir num ângulo
inferior a 30º medido do nível horizontal da visão do trabalhador.
Na
prática devem ser evitados: tampos de mesa refletores, tábuas pretas em paredes
brancas, paredes brancas brilhantes com soalhos escuros, elementos de máquinas
polidos.
As
janelas devem estar equipadas com persianas ajustáveis ou com cortinas
translúcidas de modo a evitar um contraste excessivo em dias de sol. Uma
correta distribuição das fontes de luz no interior de um ambiente de trabalho
tem igualmente uma importância fundamental na prevenção do encandeamento.
Lâmpadas de incandescência
As lâmpadas de incandescência constituem o tipo de lâmpadas mais
antigo. A sua instalação é fácil, o seu custo é relativamente baixo e a
restituição de cores dos objectos por elas iluminados é muito boa, principalmente
para as de maior comprimento de onda. Apresentam contudo um rendimento luminoso
baixo e uma vida relativamente curta (cerca de mil horas, para as lâmpadas
normais). Não são porém afetadas, quanto ao tempo de vida, pelo número de vezes
que se acendem.
Lâmpadas fluorescentes
O rendimento luminoso destas lâmpadas é mais elevado do que o
das lâmpadas de incandescência, bem como o seu tempo devida (cerca de quinze
mil horas). Este é contudo condicionado pelo número de arranques.
Outros tipos de lâmpadas
Além das lâmpadas incandescentes e das lâmpadas fl
uorescentes existem outros tipos de lâmpadas entre as quais as de vapor de
mercúrio (de alta pressão) e de vapor de sódio (de alta e baixa pressão).
O seu rendimento luminoso é também superior ao das lâmpadas
incandescentes.
Modernamente, surgiram, com elevado sucesso, as lâmpadas de halogéneo,
o que em parte se deve às suas qualidades específi cas. Com efeito, estas
lâmpadas mantêm o fl uxo luminoso praticamente constante ao longo de toda a sua
vida. Contudo, emitem uma energia global bastante superior à das lâmpadas de
incandescência, apresentando riscos para os olhos e para a pele, devido
sobretudo à radiação ultravioleta. É, pois, recomendável não utilizar este tipo
de lâmpadas em iluminação directa, salvo quando equipadas com um vidro de
protecção adequado.
Actualmente utilizam-se ainda, sobretudo em grandes
superfícies, lâmpadas de vapor de mercúrio com iodetos metálicos, de grande rendimento
lumínico.
Manutenção das instalações de iluminação
A manutenção da rede de iluminação deve ser
cuidadosamente planeada, por razões de ordem técnica e económica. Um primeiro e
importante cuidado a ter é a limpeza periódica das luminárias, a fim de que o
rendimento das mesmas não seja afectado pela acumulação das poeiras. Também o
estado das paredes e tetos deverá ser regularmente verificado.
Os custos de uma eventual lavagem ou pintura são certamente
compensados pelos ganhos na qualidade da iluminação. É igualmente importante a
existência de uma boa ventilação.
Outro aspeto importante a considerar é o da substituição, em
grupo, das lâmpadas fluorescentes.
O momento ideal para a substituição global das mesmas ocorre
ao atingirem de 60 a 75% da sua vida útil provável. A partir deste valor, a sua
fiabilidade decresce rapidamente.
Outra vantagem de uma actuação preventiva deste tipo é o
melhor aproveitamento da mão-de-obra responsável, permitindo ainda a execução
da tarefa a uma hora conveniente, fora do horário normal de serviço ou quando
de uma paragem da produção. A substituição em grupo comporta, pois, menores
custos e beneficia a conservação da própria instalação.
Webgrafia:
·
“Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho
Ambiente”. Disponível em http://www.fiequimetal.pt/~fiequime/images/livros/ambiente-trabalho.pdf
. Acedido a 22 de Maio de 2012.
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