Caríssimos
Leitores,
Chegou
o momento de vos começar a contar as minhas experiências enquanto Técnica de
Higiene e Segurança no Trabalho, já realizei algumas auditorias a diferentes tipologias
de estabelecimentos. Nas próximas publicações o que pretendo fazer é um
levantamento e abordagem dos conteúdos que é necessário ter em atenção quando
realizamos uma auditoria.
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(Fonte:http://alarmedia.pt/site/index.php?option=com_content&view=article&id=11&Itemid=28) |
Vou
começar então por falar nos extintores, estes são os meios mais adequados para
atacar um incêndio na sua fase inicial. A sua devida utilização permite atacar
as chamas incipientes e controlar ou conter o seu desenvolvimento.
Um extintor de incêndios pode salvar vidas,
extinguir um fogo ou controlá-lo até à chegada dos bombeiros. No entanto, os
extintores portáteis só são eficazes quando utilizados corretamente e se forem
observadas determinadas condições. Assim, é necessário ter em conta, por
exemplo, que quando se utiliza a água como agente extintor é necessário
garantir que não existe equipamento elétrico sob tensão. No caso de líquidos
combustíveis deve ter-se um cuidado especial com o uso da água, sobretudo em
jacto, para evitar dispersar o combustível e propagar ainda mais o incêndio.
Os extintores devem estar em perfeito estado
de funcionamento. A inspeção dos
mesmos deve ser feita periodicamente, pelo menos
uma vez por ano, e em alguns casos duas vezes por ano. Os modelos
recarregáveis devem ser recarregados por uma empresa especializada após cada
utilização parcial ou total.
Um
extintor é sempre considerado como um equipamento
de primeira intervenção. Apesar das suas dimensões relativamente reduzidas
e da sua fácil utilização, o manuseio de um extintor requer algum treino
básico.
Os extintores são geralmente classificados de
acordo com o produto ou agente extintor utilizado e que deve ser a adequado a
cada tipo de fogo. Assim, os
extintores contêm geralmente água, dióxido de carbono, gases inertes, espuma,
agentes halogenados, pós químicos etc. O agente extintor contido no
interior do extintor atua sobre a combustão por arrefecimento, abafamento,
inibição de reações químicas ou por uma combinação destes fatores.
A
aquisição de cada tipo de extintor deverá pois ser feita de acordo com o tipo
de risco a proteger. Os extintores de
água e de pó químico polivalente ABC são os que têm uma utilização mais
universal e os mais adequados ao maior número de tipos de incêndios que podem
ocorrer em geral em edifícios ou instalações industriais, salvo certos
tipos de incêndio, como por exemplo os que têm origem em aparelhos ou
equipamento com corrente elétrica.
Tipos
de Extintores
·
Extintores de pressão não permanente
Nos
extintores de pressão não permanente o agente extintor e o gás propulsor estão
separados e apenas este último se encontra sob pressão, num cartucho instalado
no interior do próprio extintor ou no exterior do mesmo. Quando o extintor é ativado,
o gás propulsor é libertado do cartucho para o interior do extintor onde se vai
misturar com o agente extintor, aumentando a pressão interna. A partir desse
ponto o processo é semelhante ao descrito anteriormente.
·
Extintores de pressão permanente
Hoje
em dia a maioria dos extintores que se encontra em aplicações comuns é do tipo
“pressão permanente”. Neste tipo de extintor o agente extintor e o gás
propulsor encontram-se misturados no interior do extintor, a uma determinada
pressão (geralmente indicada por uma pequeno manómetro instalado no extintor).
Quando o extintor é ativado o agente extintor, já sob a pressão da mistura, é
expelido por um tubo até à extremidade do difusor. A descarga pode ser
controlada através de uma válvula que existe na extremidade do tubo ou na
cabeça do extintor.
Tipo
de Agente Extintor
·
Água
A
água é o agente extintor de incêndio por excelência mas é sobretudo indicada
para fogos de classes A (sólidos). A água atua na combustão sobretudo por
arrefecimento, sendo a sua elevada eficiência de arrefecimento resultante de
uma elevado calor latente de vaporização. A água é mais eficaz quando usada sob
a forma de chuveiro, dado que as pequenas gotas de água vaporizam mais
facilmente que uma massa de líquido, absorvendo mais rapidamente o calor da
combustão. No entanto, em alguns casos é necessário utilizar água em jacto
sólido, quando se pretende, por exemplo, obter um maior alcance da água para
combate a incêndios em fachadas de edifícios, etc.
·
Agentes Halogenados
Os
agentes halogenados são substâncias contendo elementos ou compostos de flúor,
cloro, bromo ou iodo. Os agentes halogenados são utilizados sobretudo em
instalações fixas de proteção. Exemplos de agentes halogenados são os produtos
genericamente designados por FM-200, FE13, etc.
·
Halon
Os
halons são hidrocarbonetos halogenados sendo que o nome genérico “halon” tem
sido frequentemente utilizado na designação de um conjunto de hidrocarbonetos
halogenados. O halon é um agente extintor que teve grande sucesso no combate a
incêndio dadas as suas propriedades enquanto gás relativamente limpo e eficaz
em fogos das classes A, B e C e riscos elétricos. O halon, contendo elementos
químicos como o bromo, flúor, iodo e cloro atua sobre o processo de combustão
inibindo o fenómeno da reação em cadeia. No entanto, apesar da sua comprovada
eficiência este produto encontra-se interdito por razões de ordem ambiental.
Existem hoje em dia gases de extinção alternativos, considerados limpos e sem
os efeitos adversos do halon sobre a camada de ozono, nomeadamente os gases
inertes e os agentes halogenados, tais como por exemplo a Argonite, Inergen,
FM200, FE13 etc. No entanto a utilização deste tipo de produtos em extintores
portáteis não se encontra generalizada dado que a maioria deles se destina
sobretudo às instalações de extinção fixas em salas fechadas. É comum
encontrar-se dióxido de carbono como alternativa ao halon em extintores
portáteis, dado tratar-se de um gás inerte, mas a sua utilização tem
particularidades nomeadamente no que diz respeito à segurança do utilizador e
equipamento a proteger.
·
Dióxido de Carbono
O
dióxido de carbono é um gás inerte e mais pesado que o ar, atuando sobre a
combustão pelo processo de “abafamento” isto é, por substituição do oxigénio
que alimenta as chamas, e também em parte por arrefecimento. Como se trata de
um gás inerte, tem a grande vantagem de não deixar resíduos após aplicação. O
grande inconveniente deste tipo de agente extintor é o choque térmico produzido
pela sua expansão ao ser libertado para a atmosfera através do difusor do
extintor (a expansão do gás pode gerar temperaturas da ordem dos –40 °C na
proximidade do difusor, havendo portanto um risco de queimaduras por parte do
utilizador). Também por esta razão o CO2 não é utilizado em alguns
tipos de equipamento que funcionam com temperaturas elevadas.
Apesar
de não ser tóxico, o CO2 apresenta ainda outra desvantagem para a
segurança das pessoas, sobretudo quando utilizado em extintores de grandes
dimensões ou em instalações fixas para proteção de salas fechadas: existe o
risco de asfixia quando a sua concentração na atmosfera atinge determinados
níveis.
Por
não ser condutor de corrente elétrica geralmente recomenda-se este tipo de
agente extintor na proteção de equipamento e quadros elétricos.
·
Gases Inertes
Os
gases inertes contêm sobretudo elementos químicos como o Árgon, Hélio, Néon, Azoto
e dióxido de carbono. Este tipo de agente extintor não é normalmente utilizado
em extintores portáteis de incêndio mas sim em instalações fixas, para
proteger, por exemplo salas de computadores e outros riscos semelhantes. A sua
eficiência é relativamente baixa pelo que geralmente são necessárias grandes
quantidades de gás para proteção de espaços relativamente pequenos, que devem
ser estanques para não permitir a dispersão do agente extintor para o exterior.
Exemplos de agentes extintores constituídos por gases inertes são os produtos
conhecidos com os nomes comerciais “Inergen” e o “Argonite”.
·
Pó Químico
O pó
químico é o agente extintor mais utilizado em extintores portáteis sobretudo em
riscos mais comuns como os edifícios de escritórios e edifícios com ocupações
caracterizadas por um risco de incêndio relativamente reduzido.
O pó
químico é eficiente em fogos de classes A, B e C, mas tem como principal
desvantagem o efeito de contaminação que se produz após a utilização de um
extintor deste tipo. Muitas vezes escolhe-se outro tipo de extintor quando se
entende que este tipo de agente extintor representa um risco para o equipamento
a proteger. No entanto, o pó químico é eficiente e como não se dispersa tanto
na atmosfera como um gás, permite atacar as chamas de modo mais rápido e
eficaz. Os extintores portáteis de pó químico mais vulgarmente utilizados têm
capacidades de 6 kg, 9 kg e 12 kg. Também existem extintores de pó químico
móveis, de cerca de 30 kg ou 50 kg de capacidade.
Por
outro lado, a manutenção deste tipo de extintores requer atenção especial à
obstrução de válvulas e orifícios do extintor por partículas de pó, sobretudo
se o extintor foi parcial e indevidamente utilizado.
·
Espuma
A
espuma é um agente extintor polivalente podendo ser usado em extintores
portáteis, móveis e instalações físicas de proteção. Existem basicamente dois
tipos de espumas: as espumas físicas, obtidas por um processo mecânico de
mistura de um agente espumífero, ar e água, e as espumas químicas, obtidas pela
reação química entre dois produtos que se misturam na altura da sua utilização.
Este último tipo caiu em desuso sobretudo devido à sua fraca eficiência e pelos
riscos associados ao armazenamento e manuseamento dos produtos químicos
necessários à sua formação.
A
espuma física é adequada para instalações de proteção fixa de unidades de
armazenamento de combustíveis, por exemplo, ou outros riscos que envolvem
líquidos combustíveis e inflamáveis, e classificam-se basicamente em espumas de
baixa, média e alta densidade, consoante a respetiva densidade.
Componentes
de um Extintor
Os
extintores são constituídos pelas seguintes peças fundamentais:
•
Corpo ou reservatório do extintor, destinado a armazenar o agente extintor;
•
Válvula de descarga, destinada a fazer atuar o extintor, permitindo a passagem
do agente extintor para o exterior;
•
Manípulo ou punho, faz atuar a válvula de descarga;
•
Cavilha de segurança, tem como função libertar o manípulo que actua a válvula
de descarga;
•
Percutor: é a peça que abre o reservatório de gás auxiliar contido no interior
dos extintores de pressão não permanente;
•
“Tubo de pesca” ou sifão, conduz o agente extintor desde o interior do corpo do
extintor para a válvula de descarga;
•
Tubo ou mangueira: conduz o agente extintor para o exterior através de um
difusor ou bico de descarga o difusor colocado na sua extremidade. Nos
extintores de dióxido de carbono o difusor é geralmente de cor preta e de
grandes dimensões.
Imagem 1- Esquema de um extintor de pressão não permanente
utilizando uma carga interna propulsora de CO2
(Fonte: http://sapadoresdecoimbra.no.sapo.pt/Extintores.htm)
Webgrafia:
·
Allianz. Extintores Portáteis de Incêndio. Disponível
em http://www.allianz.pt/drvg06/AZP%20Portal%20Allianz/Empresas/Consultores%20de%20Risco/Home%20Consultores%20de%20Risco/Ficheiros/Extintores%20Port%C3%A1teis%20de%20Inc%C3%AAndio.pdf.
Acedido a 7 de Maio de 2012.
·
Allianz. Formação de Combate a incêndio.
Disponível em http://www.allianz.pt/drvg06/AZP%20Portal%20Allianz/Empresas/Consultores%20de%20Risco/Home%20Consultores%20de%20Risco/Ficheiros/Forma%C3%A7%C3%A3o%20de%20Combate%20a%20Inc%C3%AAndio.pdf.
A cedido a 7 de Maio de 2012.
·
Pronaci. Higiene e Segurança no Trabalho,
Ficha Técnica PRONACI, edição de 2002.
Disponível em http://pme.aeportugal.pt/Aplicacoes/Documentos/Uploads/2004-10-15_16-45-18_Logistica.pdf.
Acedido a 7 de Maio de 2012.
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